segunda-feira, 2 de novembro de 2015

AMERICAN HORROR STORY - ASYLUM



Por Diego Betioli

"Se você olhar para o mal, o mal olhará de volta para você".

Se imagine como um fã de terror desde que se conhece por gente, e imagine encontrar em uma única série todos os  elementos mais fantásticos do horror - inclusive psicológico - atrelados a um roteiro fantástico, cheio de personagens incrivelmente carismáticos, o que raramente é bem trabalhado no gênero. Esta é a segunda temporada de American Horror Story, Asylum - em minha modesta opinião, uma obra prima de terror.
Gostei muito da primeira temporada, Murder House. A temática de uma casa repleta de mistério e espíritos aprisionados por rancor parece clichê, mas foi muito bem trabalhada por Ryan Murphy, que conseguiu dar uma ótima profundidade aos personagens - tanto os vivos quanto os mortos - com o auxílio de um elenco de peso com nomes como Jessica Lange, Zachary Quinto, Sarah Paulson e Evan Peters. Foi o suficiente para que eu encarasse a próxima temporada, cuja temática por si só já me despertara a atenção - um manicômio!
A ideia de uma instituição psiquiátrica ainda permanece assustadora em nosso inconsciente coletivo, imaginando pacientes mal tratados, sofrendo todo tipo de "tratamento", em condições precárias, de modo a agravar ainda mais suas condições e jamais auxiliá-los ou curá-los de fato, o que era uma prática comum até boa parte do século XX - ser internado em um manicômio podia ser considerado o fim de uma pessoa: não havia mente e corpo que suportassem a atmosfera de tal ambiente e a simples ideia de tal lugar era mais assustadora que a reclusão em uma penitenciária. 
É exatamente em um recinto como este que a série é ambientada, nos anos 60: Briarcliff, um antigo hospital que tratava tuberculosos (onde dezenas destes morreram, em um período no qual a doença fora extremamente letal), agora sob os cuidados da Igreja Católica, sob o comando do Monsenhor Thimoty (Joseph Phiennes) e a Irmã Jude (Jessica Lange). Os métodos aplicados aos pacientes são completamente inapropriados e tortuosos, os quais sempre justificados em nome de purificação e ordem.



As coisas começam a tomar um novo rumo em Briarcliff com a chegada de Kit Walker (Evan Peters), suspeito de ser o serial killer conhecido como Bloody Face. A presença do suposto assassino na instituição atrai a presença do Dr. Thredson (Zachary Quinto), que possui um interesse peculiar no caso de Kit, e da repórter Lana Winters (Sarah Paulson), cuja limitada carreira a faz enxergar em Bloody Face a grande chance para um salto profissional. A relação entre estes personagens desencadeia os eventos chaves que se sucedem no manicômio, tomando rumos cada vez mais inesperados - e fazendo o espectador perder o fôlego a cada reviravolta.
Briarcliff ainda tem muitos outros personagens fundamentais à trama e extremamente envolventes, como a Irmã Mary Eunice (Lilly Rabe), o intrigante e assustador Dr. Arden - brilhantemente interpretado pelo renomado James Cromwell - e Grace (Lizzie Brocheré), uma paciente aparentemente lúcida que logo faz amizade com Kit.
Não obstante ao horror de um manicômio, e como supracitado, Asylum apresenta, ao longo de sua narrativa, menções ao horror fictício e real da época então retratada - elementos como exorcismo, nazismo, ufologia e ciência experimental, fazendo um mix de elementos de horror religioso e científico de forma impecável. A trama ainda aborda temas tabus como racismo, homossexualidade e bigamia e como tais eram tratados à época.



Há ainda uma conexão com uma narrativa no tempo presente (aliás, é assim que a série começa), o que é explicado posteriormente, de forma gradativa no decorrer dos treze episódios da temporada. Aliás, as narrativas de tempo, de modo especial os flashbacks, se mostram como um dos pontos fortes tanto na primeira quanto na segunda temporada de AHS. Outro fator a se destacar é como, por incrível que pareça, é fácil desassociar os atores desta temporada de seus papéis na primeira (boa parte do elenco é o mesmo, característica da série), mostrando a força do elenco e dos personagens da estória. O carisma e a profundidade dada a cada um deles é tamanha que, em determinado momento, você se vê torcendo por alguém que considerava desprezível há um episódio atrás. A trilha sonora também é perfeita, criando a perfeita atmosfera de um hospício. Pra se ter ideia, esta é a música tocada todo dia no salão principal de Briarcliff.
As temporadas de AHS são independentes umas das outras. Portanto, se gostou ou não da primeira, garanto que esta será uma experiência completamente diferente - e imprescindível para os amantes de terror.


Um comentário:

  1. Sim. Eu gostei de AHS. Vi as três primeiras temporadas. A do Circo foi fantástica também. Espero que tenham mais, pois infelizmente não tenho visto a franquia sendo transmitida.
    Um abraço

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